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terça-feira, 21 de dezembro de 2010

4º Domingo do Advento


Homilia

“O rei da glória é o Senhor onipotente; abri as portas para que ele possa entrar!”. Foi o que rezamos no refrão do salmo da liturgia desse domingo. Onipotente é um dos adjetivos de Deus. Deus é todo-poderoso, seu poder é infinito, Ele pode tudo. No entanto, Deus nos mostra que ao mesmo tempo em que ele é poderoso Ele também é simples. Ele é o Emanuel, o Deus Conosco. Ele está ao nosso lado e quis estar ao nosso lado, vindo ao mundo e assumindo a nossa humanidade de uma maneira normal. Ele quis precisar do “sim” humano para que também nós participássemos da história da salvação, para que também nós pudéssemos fazer parte e nos sentir parte desse plano de amor.
Deus está conosco sempre! Seja nos nossos momentos de angústia, de alegria, de sofrimento, de conquistas. Muitas pessoas duvidam, em alguns momentos, da presença de Deus em suas vidas. Na verdade, elas não percebem que o problema está em si mesmas. Estão com os olhos tampados pelo pecado, por egoísmos. Estão com os ouvidos ocupados em escutar tantas balelas e propostas sem sentido. Estão com os corações cheios de insegurança, de inveja, de rancor. Deus é fiel! Ele está sempre presente. Nós que precisamos estar livres daquilo tudo que nos atrapalha de sentirmos, ouvirmos, enxergamos a presença de Deus nas ações do dia-a-dia, nos acontecimentos, nas palavras das pessoas e de tantas outras maneiras, sempre de forma simples...como Deus é simples!
Nesse último domingo do advento a liturgia nos convida a olharmos para as figuras de Maria e José. Além de precisar do “sim” de Maria para que acontecesse a concepção de Jesus, Deus também precisou do “sim” de José para que o Menino-Deus também tivesse um “cuidador”, alguém pudesse junto com Maria educá-lo e sustentá-lo.
Maria e José são os portadores, por excelência, da grande Benção de Deus para a humanidade: o Cristo. E é pelo Cristo que chega até nós a salvação de Deus.  Maria e José são aqueles que se colocam como instrumentos de Deus para que a salvação possa vir ao mundo. Nós também somos hoje outras “Marias” e outros “Josés” pois também somos instrumentos de Deus para continuarmos levando a mensagem de salvação para todas as pessoas. Ao escutarmos e colocarmos em prática a Palavra de Deus e também ao recebermos Jesus na Eucaristia, nos tornamos portadores de Jesus. Nos tornamos também instrumentos para levar ao mundo essa grande benção de Deus para a humanidade: o próprio Jesus Cristo. Que possamos ainda nesses dias que faltam para o Natal abrir as portas dos nossos corações para o que o rei da glória possa entrar e reinar em nossa vida!

Pe. Paulo Profilo, SDB 

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

3º Domingo do Advento




Muitas vezes quando atendo as pessoas, principalmente as que estão enfermas, uma das perguntas mais freqüentes que fazem são “Padre, Deus está me castigando?”. Diante da fragilidade da saúde esse é o primeiro pensamento que se vem. Se hoje muitas pessoas pensam nessa possibilidade de castigo de Deus imagine como as pessoas pensavam na época da Jesus. Os coxos, os cegos, os leprosos, eram todos considerados pecadores, amaldiçoados, impuros e indignos. Para a religião que professavam essas pessoas não estavam contados entre aqueles que seriam salvos.

No capítulo 4 de Lucas, quando Jesus estava na sinagoga em Cafarnaum e levantou-se para ler as escrituras, ele anunciou a sua missão como Ungido de Deus, como o Cristo de Deus: “O Espírito do Senhor está sobre mim, porque me ungiu para anunciar a Boa-Nova aos pobres; enviou-me a proclamar a libertação aos cativos e, aos cegos, a recuperação da vista; a liberdade aos oprimidos, a proclamar um ano favorável da parte do Senhor.” No evangelho de hoje, em cumprimento à profecia de Isaías que lemos na primeira leitura, Jesus ao ser indagado pelos discípulos de João se ele realmente era o Cristo, Jesus faz questão também, de elencar os sinais que estão acontecendo.
Jesus chama atenção aos sinais para que entendam o motivo verdadeiro deles. Mas do que as curas e milagres, o Cristo de Deus veio para trazer a salvação. E a salvação de Deus não é somente para um grupo de pessoas perfeitas fisicamente mas sim para todos, principalmente os mais necessitados. Os milagres de Jesus são sinais da sua unção pelo Espírito Santo. São sinais de uma salvação universal até para os que, segundo os judeus, eram considerados amaldiçoados e castigados por Deus. Jesus não cura ou faz milagres porque tem dó, mas para testemunhar a misericórdia e o amor de Deus na vida dos seus filhos. Para mostrar que realmente é “um ano favorável da parte do Senhor”. É o kairós (tempo de Deus) que se aproxima!
Nós também precisamos estar atentos aos sinais de Deus em nossas vidas. Deus nos concede as “alegrias da salvação”. Os sacramentos, por exemplo, já são essas alegrias que Deus nos concede ao marcar os momentos da nossa vida com seus sinais de amor: a filiação divina pelo batismo, a misericórdia pela penitência, o alimento pela eucaristia, os dons do Espírito pelo crisma, a união de duas vidas pelo matrimônio, o ser outro Cristo pela ordem, a cura pela unção dos enfermos. Com quantas outras “alegrias da salvação” Deus nos presenteia: a amizade sincera de um amigo ou amiga, o amor incondicional de uma mãe ou pai, a franqueza de uma correção fraterna, a simplicidade de uma criança, a beleza da criação.
É por isso que nesse domingo a cor litúrgica é o róseo. É a alegria que toca esse tempo da espera, do advento do Senhor. Alegria em comemorar mais uma vez a primeira vinda de Cristo, que assumiu a nossa fragilidade humana para justamente nos trazer a salvação e nos mostrar que a grandeza do ser humano se caracteriza pela fé que o faz perceber as necessidades do próximo. A esperança da segunda vinda de Cristo, quando ele chegará triunfante para nos trazer à verdadeira alegria da vida em Deus.

Pe. Paulo Profilo, SDB


sábado, 4 de dezembro de 2010

2º Domingo do Advento

Homilia

Caros jovens! O profeta Isaías afirma hoje na sua profecia que do tronco de Jessé nascerá um rebento. O que é um rebento? É uma hastesinha  pequena, frágil, tão frágil que qualquer criança pode quebrar, partir em pedaços. Mas vejam a grandeza de Deus! É desta hastesinha que veio a nossa salvação! Parece tão contraditório. Mas é! A lógica de Deus é diferente da nossa. Deus exalta os humilhados! Faz os cegos enxergarem! Faz da cruz o seu trono! É sobre esse rebento que o profeta anuncia que repousará o Espírito do Senhor! É essa hastesinha que será ungida pelo Espírito! É o Cristo, o Messias que virá para batizar com o Espírito Santo e com fogo!
O messias é cheio do Espírito Santo por isso é justo. Ele não julga pelas aparências mas pela justiça, anuncia o profeta. Assim, somos convidados a tirarmos, nesse domingo, as nossas máscaras, as nossas aparências, a nossa vida do ‘faz-de-conta” e sermos quem realmente somos! Precisamos ter coragem de assumir a nossa pobreza. Assumir que perante Deus somos pobres e que sozinhos nunca poderemos levar o peso da vida. Somente os pobres poderão acolher, reconhecer e alegrar-se com a chegada do Messias!
João Batista no evangelho de hoje faz um convite: “Convertei-vos!” A palavra conversão em grego é metanóia  que significa mudar o pensar, mudar o coração! Não se trata de uma mera mudança no rumo da vida, mas é uma atitude interior de sincero arrependimento, a atitude de quem se reconhece pecador e humildemente vai mudar o coração, mesmo que à custa de sacrifício pois reconhece a importância de Deus e da vida em Deus. É um retorno a Deus para que Ele encontre acesso fácil, em nosso coração, para a sua vontade e seus planos.  Para isso que João batiza. Para que as pessoas reconheçam os seus pecados e mudem, façam a escolha pelo Reino de Deus, o próprio Cristo que vem. Já o Batismo de Jesus é aquele que confere a fé, dada pelo Espírito Santo. Fé que arde os nossos corações como o fogo! Que queima e purifica a nossa pequenez para dar assim, espaço para a vontade de Deus em nossas vidas.

Hoje, nas orações que rezamos na liturgia, há pedidos muito corajosos. Na coleta rezamos o seguinte: “Nós vos pedimos que nenhuma atividade terrena nos impeça de correr ao encontro do vosso Filho, mas, instruídos pela vossa sabedoria, participemos da plenitude de sua vida.” Há muitas coisas em nossa vida que nos atrapalham de participar da plenitude da vida de Deus. A conversão é deixar de lado essas coisas! Assim poderemos viver a nossa vocação de termos “vida e vida em plenitude”.  Na oração depois da comunhão rezaremos o seguinte: “que pela participação nesta eucaristia, nos ensineis a julgar com sabedoria os valores terrenos e colocar nossas esperanças nos bens eternos.” Vejam! Precisamos pedir a Deus, todos os dias, que os ensine a julgar os valores terrenos, os valores que nos são oferecidos pela TV, pela INTERNET, pelas propagandas, pelas músicas. Não é necessário nos esconder de tudo isso, mas é necessário, com a ajuda do Pão da Vida, julgar com sabedoria e aproveitarmos aquilo que é bom para o nosso crescimento e para nossa vida de fé.
Cultivemos em nós a esperança, chega de vivermos como todo mundo vive, chega de sermos medíocres como todo mundo é medíocre. Façamos a diferença! Vamos converter o nosso coração para que possamos, juntos,  tendo um só coração e uma só voz glorificar a Deus em Jesus Cristo pelo Espírito Santo!

Pe. Paulo Profilo, SDB

sábado, 27 de novembro de 2010

Advento



"Meditando a chegada de Cristo, devemos buscar o arrependimento dos nossos pecados e preparar o nosso coração"



O Ano Litúrgico começa com o Tempo do Advento; um tempo de preparação para a Festa do Natal de Jesus. Este foi o maior acontecimento da História: o Verbo se fez carne e habitou entre nós. Dignou-se a assumir a nossa humanidade, sem deixar de ser Deus. Esse acontecimento precisa ser preparado e celebrado a cada ano. Nessas quatro semanas de preparação, somos convidados a esperar Jesus que vem no Natal e que vem no final dos tempos.
Nas duas primeiras semanas do Advento, a liturgia nos convida a vigiar e esperar a vinda gloriosa do Salvador. Um dia, o Senhor voltará para colocar um fim na História humana, mas o nosso encontro com Ele também está marcado para logo após a morte.
Nas duas últimas semanas, lembrando a espera dos profetas e de Maria, nós nos preparamos mais especialmente para celebrar o nascimento de Jesus em Belém. Os Profetas anunciaram esse acontecimento com riqueza de detalhes: nascerá da tribo de Judá, em Belém, a cidade de Davi; seu Reino não terá fim... Maria O esperou com zelo materno e O preparou para a missão terrena.
Para nos ajudar nesta preparação usa-se a Coroa do Advento, composta por 4 velas nos seus cantos – presas aos ramos formando um círculo. A cada domingo acende-se uma delas. As velas representam as várias etapas da salvação. Começa-se no 1º Domingo, acendendo apenas uma vela e à medida que vão passando os domingos, vamos acendendo as outras velas, até chegar o 4º Domingo, quando todas devem estar acesas. As velas acesas simbolizam nossa fé, nossa alegria. Elas são acesas em honra do Deus que vem a nós. Deus, a grande Luz, "a Luz que ilumina todo homem que vem a este mundo", está para chegar, então, nós O esperamos com luzes, porque O amamos e também queremos ser, como Ele, Luz.
A Coroa do Advento é o primeiro anúncio do Natal. Ela é da cor verde, que simboliza a esperança e a vida, enfeitada com uma fita vermelha, simbolizando o amor de Deus que nos envolve e também a manifestação do nosso amor, que espera ansioso o nascimento do Filho de Deus.
O Tempo do Advento deve ser uma boa preparação para o Natal, deve ser marcado pela conversão de vida – algo fundamental para todo cristão. É um processo de vital importância no relacionamento do homem com Deus. O grande inimigo é a soberba, pois quem se julga justo e mais sábio do que Deus nunca se converterá. Quem se acha sem pecado, não é capaz de perdoar ao próximo, nem pede perdão a Deus.
Deus – ensinam os Profetas – não quer a morte do pecador, mas que este se converta e viva. Jesus quer o mesmo: “Eu vim para que todos tenham a vida e a tenham em abundância” (Jo 10,10). Por isso Ele chamou os pecadores à conversão: “Convertei-vos, porque está próximo o Reino dos Céus” (Mt 4,17); “convertei-vos e crede no Evangelho” ( Mc 1,15).

Fonte: Canção Nova
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